Estou constipado (por agora pode parecer descontextualizado, eu sei) . Pensei , pensei e antes de fazer um texto sobre coxos temporários, decidi contar a minha aventura com a Sorel. Não, Sorel não é nenhuma Francesa pseudo-intelectual. Também não é, como alguns podem pensar, uma marca de detergentes ou produtos para tirar o cálcário das resistências das máquinas de lavar (era tudo mais fácil se existissem por cá aquelas lojas onde com uma moeda de 50 cêntimos e com 30 minutos disponíveis, pudéssemos observar as nossas roupas a serem trucidadas enquanto metiamos conversa com uma francesa pseudo-intelectual, não era?) Pois, a Sorel não é mais do que uma oficina gigante que existe ali para a zona de Cabo ruivo. Isto de um gajo ter carro próprio não é pêra doce. Por mim, vinha todos os dias a pé para o trabalho, mas os gajos das portagens recusam receber os 1,10€ da passagem. E eu respeito esta posição claro, até porque se eles se juntam são uns 10 ou 12 contra mim. Por esta razão tenho um carro, um Daewoo Lacetti. E como todas as pessoas, os carros também têm problemas. O meu teve um problema, aliás, dois problemas: a luz de airbag estava sempre acesa e os médios por vezes deixavam de funcionar. Ora, tinha duas alternativas: ou ia com o carro à Sorel, ou andava por aí correndo o risco de numa noite e na recta dos pinheiros por exemplo, ficar sem médios, embater numa árvore e como (muito) provavelmente o airbag não funcionaria, ficaria com alguma perna partida ou até quem sabe com uma pequena marca de sangue pisado no dedo mindinho. Optei pela primeira, até porque tinha de ir de qualquer maneira à Sorel, com pernas partidas ou não. Ao chegar à oficina, veio o segurança ter comigo e com um ar um pouco arrogante (tipico de um segurança da Securitas. Sim, porque os seguranças da Prosegur por exemplo não são assim tão previsíveis) começou as hostilidades: “Sr Amilcar não é?” Sem tirar os meus óculo escuros logo me apressei a emendar tal profecia “Não, sou o João Tiago, o Amilcar é o meu pai.” . Olhei para a cancela mas esta insistia em não abrir. “Pois sr. João , mas tenho aqui a identificação que este carro pertence ao Sr. Amilcar” . Epá , já estão a ver o que aconteceu não? Fui lá 3 vezes e nessas três vezes o individuo chamou-me Amilcar e eu sempre a dizer que esse era o meu pai. Epá não é que não goste do nome, mas é chato pá. Um gajo não é Amilcar, é João. Nem rima nem nada pá. Bolas. Enfim, lá entrei para a oficina e expliquei o meu problema. Como é habitual disseram-me que mesmo naquele dia o meu problema seria resolvido. “Epá, os gajos da Sorel são uns fixes” pensei. Tal como combinado fui buscar o meu carro ao final da tarde. Recebeu-me o mesmo segurança e...não vale a pena bater mais no ceguinho. Sim, chamou-me Amilcar. Bem, estava eu sentado à espera da chave quando um dos funcionários me diz “Pois, não conseguimos resolver o problema da luz do airbag. Mas não se preocupe, o carro anda e o máximo que pode acontecer é o airbag não funcionar.” Epá tudo bem, se eu me espetar a 150km à hora o mais que pode acontecer é não funcionar o airbag, e talvez ainda consiga escapar vivo ao acidente. “Aliás, eu vou pagar o arranjo com um multibanco falso e o mais que pode acontecer é não ser aceite pela sua máquina, logo não pago esta merda.” Pensei eu. Não o disse, mas apeteceu-me dizer. ‘I´m a pain in the ass’, eu sei. Amilcar , o pain in the ass! “E o outro problema com os médios?” agora sim , perguntei com um ar arrogante, tipo Securitas. “Ah pois...não temos nenhuma indicação por isso os mecâncos devem ter resolvido o problema”. Amilcar, o pain in the ass estava de volta. Levantei-me e fui embora. Ah , devo lembrar que era um fim de tarde muito frio (era importante referir esta questão). Por isso mesmo decidi ligar a Chaufagem so carro. Sim, porque não é sófage nem sólfagem!!!! É chaufagem (vinha na factura, por isso sei.) Qual não é o meu espanto quando verifico que a minha chaufagem pura e simplesmente não funciona. “Esta agora, então venho à Sorel com dois problemas e saio com três?” Situação idêntica só quando vamos pagar o IVA e nos dizem que também devemos à Segurança Social e ao IRS. Ridículo. Telefonei logo para a Sorel. Descobri que ao telefonar conseguia livrar-me de duas coisas : do securitas a chamar-me Amilcar, e do funcionário que me atendeu que era gago e levava meia-hora para dizer qualquer coisa. Disseram-me para levar o carro no dia seguinte às 8.30 da manhã. Já imaginam porque estou constipado não? Hora e meia para passar a ponte dentro de um descapotável com capota e um frio maior dentro que fora do carro. Hora e meio de desespero e de gelo. Muito gelo. Estou constipado mas conto ter o carro arranjado em 2006. Tudo graças à Sorel. Meus amigos...na Sorel é que é!